This story is published in the author's own words, in Portuguese.
Na década de 80 e 90, Glória de Dourados, no Mato Grosso do Sul, era uma cidade pequena, de uns 4 mil habitantes. Ali, avião era raridade.
De vez em quando um deles cruzava o céu azul, bem alto e bem longe, e eu parava tudo para acompanhar com os olhos até ele sumir. Foi assim que nasceu o meu sonho de voar.
A vida, porém, tomou outros rumos. Faltavam recursos, vieram outras responsabilidades e outros projetos, e o sonho ficou guardado por muitos anos. Não morreu: só esperou a hora certa.
Essa hora chegou com o José, meu segundo neto, nascido em 2021. Por volta dos dois anos, ele se encantou por aviões e helicópteros. Até hoje não sei de onde veio esse encanto, porque ele não assiste televisão nem usa celular (os pais não deixam). Um dia chegou em casa e, ainda aprendendo a falar, me disse:
— Vovô, quero ver avião voando.
Com a permissão dos pais, mostrei alguns vídeos. Os olhos dele brilharam do mesmo jeito que os meus brilhavam olhando para o céu de Glória de Dourados.
Desde então, toda vez que embarco nas minhas viagens de trabalho por este Brasil, levo uma missão a mais: fazer vídeos e fotos para o José. Já pedi licença a comandantes para filmar e mostrar a cabine, e cada um desses momentos virou um presente para ele e para mim.
Foi aí que o sonho antigo despertou de vez. Hoje estou estudando para o exame teórico de Piloto Privado da ANAC. Este espaço do voo56 conta essa jornada: o que aprendo, os voos, os bastidores e os materiais que estou produzindo para ajudar outras pessoas que também sonham em voar.
O sonho está se tornando realidade.